segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Obrigado, Figueirense.

Local da fundação do Figueirense em 1921
(Enviada por Marcelo Martins)
Em um campeonato onde o líder faz o viés de pace car, ou seja, serve apenas para ditar o ritmo (lento) dos outros e embolar os competidores que vem atrás, uma campanha e uma arrancada como a do Figueirense nessa reta final são uma grata e muito bem vinda surpresa.

Felizmente, tive a oportunidade de ir a um jogo no Orlando Scarpelli nesse Brasileirão, além de ter presenciado a vitória do time catarinense sobre o Corinthians no Pacaembu, e posso dizer que é uma viagem ao passado (um pouco) mais romântico do futebol.

Não estou dizendo que o Figueirense não é estruturado, muito pelo contrário, sua eficiente campanha de sócios, por exemplo,  não me deixa mentir. Mas que outro time da Primeira Divisão joga com um Vento a seu favor (ou contra, dependendo do lado do campo)?

Além do icônico Vento Sul, sua torcida me intrigou. Ao final da partida, uma vitória do São Paulo por 2x1, houve uma pequena discussão entre uma turma "pró-Fernandes"  e outra em desfavor do ídolo do Figueira. Por fim, a discussão avançou para o que o clube podia ambicionar no certame, enquanto alguns defendiam que o resultado era ruim, afinal os distanciaria da zona da Libertadores, outros afirmavam que era normal, pois se tratava do São Paulo e que o lugar do Figueirense era mesmo no meio da tabela.

Curiosamente, o lado que se conformava com o papel secundário no campeonato era maioria. Não sei até que ponto isso era estigma da Segunda Divisão, ou conformismo de um torcedor que sabe que seu time não conta com milhões de orçamento, como aqueles do eixo Rio-São Paulo. Mas hoje tenho certeza, que aqueles que queriam mais do clube estão com aquele sorriso de quem estava coberto de razão.

Afinal, o Figueirense não apenas encaixou uma respeitável série de invencibilidade, ele provou que qualquer clube na Primeira Divisão pode lutar na parte de cima da tabela. Basta trabalhar para isso. E talvez, contar com um pouquinho de sorte. Não acredito ser normal um campeonato em que tantos estejam no topo separado por tão poucos pontos, mas isso não desmerece, de maneira nenhuma, a campanha do Figueira.

Enfim, é por isso que agradeço o clube do Estreito. Por ser mais uma prova de que dinheiro ajuda, mas que determinação e vontade são os verdadeiros elementos fundamentais a um futebol de campeão. Quem sabe, em outro ano não levante o caneco? Ou, nos surpreenda ainda mais e faça isso ainda em 2011? Por mais difícil que seja, nada parece impossível nesse campeonato e esse time mostrou que tem garra para buscar o que quer.

Pensamentos:

I - Acredito que a campanha no Figueirense credencia Jorginho a uma posição de maior destaque como treinador. Se tinha saído chamuscado pela péssima exibição da Seleção na Copa da África do Sul, agora já está devidamente reabilitado.

II - Obviamente também agradeço pela vitória sobre o Botafogo no Engenhão, tirando assim a chance do time carioca embolar ainda mais a briga pelo título.

III - O Campeonato está tão enrolado que o Flamengo, depois de não ganhar em 8 jogos (!), está novamente na luta do título. Tem gente que acha isso bonito, mostra que todo mundo pode ser campeão no Brasileirão. Para mim, só prova que está tudo nivelado por baixo e que todos sobrevivem de lampejos de bom futebol.

IV - Patética a atuação da zaga do Cruzeiro. Simplesmente horrível.

V - Impossível não perceber como o Corinthians se tornou um time apático. Foi assim na reta final do Brasileirão 2010, na desastrosa eliminação para o Tolima e agora. Não parece MESMO ser um time de chegada. Coincidentemente, o treinador é o mesmo nos três momentos.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Dois dos melhores?

O portal As.com publicou hoje duas matérias similares sobre dois jogadores distintos. Em ambas trata-se de estatísticas sobre número de gols por número de partidas. E as médias desses dois craques impressiona. Cristiano Ronaldo e Messi, dois dos melhores de todos os tempos?

Se a constatação partisse apenas de estatísticas, creio que já estaria segura e devidamente validada. Lionel Messi já marcou 202 gols com a camisa do Barcelona, sendo 101 destes nas últimas 98 partidas, quando começou a jogar de "falso delantero". Já Cristiano Ronaldo, em 105 partidas pelo Real Madrid, já marcou os mesmos 101 gols e acabou de confirmar o melhor começo de temporada de toda a sua carreira.

Duas máquinas de jogar bola em dois clubes com uma das maiores rivalidades do futebol. Disputando não só os mesmos títulos com essas camisas, como também os recordes individuais. Candidatíssimos aos dois primeiros postos de Melhor do Mundo.  São craques como esses que fazem deste esporte o que ele é.

Confira as matérias:


Cristiano firma el mejor arranque de toda su carrera


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Bola de Ouro, Categorias de Base e Imigração.

Vivemos um momento interessante para o futebol brasileiro. Um jovem jogador, que joga em terra brasilis, está concorrendo ao Prêmio da Bola de Ouro, com outros 22 destaques, para saber quem é o melhor jogador do mundo. Detalhe, todos os outros jogam na Europa.

Claro, estamos falando de Neymar. Ainda mais do que um feito do próprio jogador, temos que louvar a façanha de todo um staff por trás deste, que investiu pesado na ideia de ter um jogador eleito o "melhor do mundo" jogando em um clube brasileiro. O que muitos acharam engraçado na época, mostrou-se um (pouquinho) mais viável hoje.  

Não, não estou dizendo que ele será eleito. Muito pelo contrário, aposto que não estará entre os três finalistas. Mas a exposição MUNDIAL (todos os dias o AS.com, da Espanha, posta algo sobre ele) de mídia que o garoto está tendo é um bom sinal. Mostra que temos potencial mercadológico para sermos ainda mais rentáveis, além de conquistar fãs no mundo todo. Basta termos pessoas competentes e comprometidas gerenciando o nosso futebol.

Outra coisa que me chama a atenção na lista dos indicados é número de jogadores do Barcelona que estão nela. Não porque não merecem, óbvio. Mas sim pelo fato de terem sido CRIADOS no próprio clube. Nada menos do que 5 (cinco) dos 23 melhores jogadores do Mundo são das "canteras" do Barça! Uma máquina de revelar craques? Talvez. Um exemplo de como se administrar os juniores de sua equipe? Com certeza.

O compromisso do clube catalão com as categorias inferiores é exemplar. Basta digitar "La Masia" no todo-poderoso Google e verão o que estou falando. E não é só investimento estrutural! É a filosofia do clube: revelar jogadores para jogar NO Barcelona. Desde cedo treinam e são moldados ao estilo de jogo da equipe principal, o famoso "tiki-taka" (três expoentes dessa filosofia? Messi, Xavi e Iniesta).

Em contrapartida, quem também se beneficia é a Seleção Espanhola. Campeã da Euro E da Copa do Mundo utilizando-se deste estilo particular de jogo. É pouco, ou já se convenceu? Além de tudo isso, o sistema parece não parar. O Barcelona jogou a rodada passada da Liga Espanhola com mais canteranos recém saídos da base, para dar folga à seus jogadores estrela, e além de não decepcionarem, os garotos ainda se destacaram. Isaac Cuenca, os espanhóis sugerem que o nome seja guardado, inclusive marcou um gol na goleada sobre o Mallorca.

Por fim, ainda falando sobre filosofia de jogo e mudanças na base que afetam a equipe principal, a excelente entrevista de Cacau ao Globoesporte.com é uma boa pedida e fica como recomendação. Segue um trecho:

"O futebol alemão mudou muito desde que você chegou. Hoje, a seleção da Alemanha tem um outro estilo e uma outra cultura. Ninguém pode mais falar de futebol-força com talentos como Özil, Khedira, Müller, etc. O que aconteceu?


Foi uma mudança de filosofia, que começou com a chegada do Klinsmann e do Joachim Löw para comandar a seleção e teve continuidade. O Löw já está há sete anos na seleção e trouxe uma nova filosofia de jogar futebol. (...) A seleção está chegando a um grande nível, combinando esse novo estilo com a velha mentalidade de nunca desistir, de sempre correr atrás. É uma mescla de técnica e força excelente, que vem sendo feita desde as divisões de base, com o Matthias Sammer."

Ademais, Cacau fala sobre a adaptação de um imigrante do Mundo da Bola ao seu novo país e suas opiniões particulares sobre a Alemanha. Vale a pena a leitura.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Kaká volta a Seleção.

Depois de longos dezesseis meses, o meio campista Kaká está de volta à Canarinho. Ótima notícia. Afinal, poucas são as seleções do mundo que podem contar com um jogador desta qualidade e que em boa forma, pode resolver partidas sozinho.

Mano já havia tentado tirar a pressão dos garotos com a convocação de Ronaldinho, mas, convenhamos, Kaká ainda tem muito mais a render do que o camisa 10 do Flamengo. Como alento, serve o fato de que no Real Madrid ele tem voltado, aos poucos, a ser decisivo. Tornou-se titular, tem feito boas partidas e marcado gols. Se já não é o brilhante jogador dos tempos de Milan, continua sendo, no mínimo, um excelente meia-atacante.

No mais, a convocação de Mano surpreendeu em alguns nomes. Bruno César, seu jogador em tempos de Corinthians, está sim em boa fase no Benfica, mas não me parece jogador de Seleção. Já William, também ex-Timão, merecia há tempos uma chance com a Amarelinha. Não é de hoje que ele vem se destacando no Shakhtar da fria Ucrânia, inclusive chamando a atenção de clubes maiores e tem apenas 23 anos.

Por fim, fica evidente que alguns outros nomes visam às Olimpíadas de Londres como: Dudu (ex-Cruzeiro e Coritiba), Kléber (atacante do Porto) e os laterais Alex Sandro (ex-Santos) e Fábio (Manchester United). Agora é esperar para ver como a Seleção se sai contra as fortíssimas seleções do Gabão e do Egito.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Eto'o: "O futuro do Futebol está na Rússia".

O sempre polêmico atacante camaronês, que já chegou a afirmar que o astro do Barcelona era ele e não Ronaldinho, deu entrevista à CNN falando de sua transferência para o futebol russo, afirmando, entre outras coisas, que não foi motivado apenas por dinheiro e que o futuro do futebol está na Rússia.

Confira:



(Entrevista em Espanhol - Matéria e Legendas em Inglês)

O que será do Pinheirão?

A novela do Pinheirão, aparentemente, está longe de ter um fim. Se o pagamento que a FPF tinha feito ao INSS  havia dado uma certa segurança quanto à um final próximo ao imbróglio e mais um passo em direção à possível compra do terreno para a construção de um (bem vindo) novo Estádio do Coritiba, a matéria de hoje do Paraná Online (link) aponta para o lado oposto.

Diz a reportagem de Ricardo Brejinski que a Prefeitura de Curitiba pode fazer valer um dos artigos presentes na Lei Municipal (3583/69) que legalizou a doação dos terrenos à Federação e retomá-los como patrimônio seu, por falta de cumprimento dos critérios estabelecidos. A matéria também ressalta o fato de tais exigências não terem jamais sido observadas nos 42 anos de Pinheirão.

Ora, por que então a Prefeitura se preocupa com essa questão justo agora? Prefiro acreditar que isso nada, ou pouco, tem a ver com o fato das eleições municipais do ano que vem estarem polarizadas entre o atual Prefeito e o alardeado candidato Gustavo Fruet, que coincidentemente é do mesmo partido que o Presidente da Federação Paranaense de Futebol.

É mole ou quer mais?

Bom, sem querer dar mais pitacos sobre o assunto, vou é me recordar dos memoráveis jogos que assisti das arquibancadas do malfadado estádio do Pinheirão, entre eles o emocionante empate em 3 a 3 entre a Seleção Brasileira e a Uruguaia pelas Eliminatórias da Copa de 2006.

Com direito a gol do Ronaldo Fenômeno, um partidaço do Recoba e claro, casa cheia.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Há mais de ano.

Há mais de ano que não posto neste espaço e revendo minhas postagens antigas me deparei com mudanças interessantes. Por exemplo: Neymar.

Não foram poucos os parágrafos em que demonstrava imensa relutância em admitir o seu bom futebol. Neymar, para mim, era um menino mimado e encrenqueiro. Mal acostumado com os anos em que reinava na base do Santos e recebia sua gorda bolsa auxílio, além de ser paparicado pelo seu empresário.

Hoje, porém, não há pessoa no Brasil que não se renda ao futebol genial do garoto-homem (afinal, já é até pai). Seus belos (e numerosos) gols pelo Santos, a conquista da Libertadores, o protagonismo precoce na Seleção, as decisões acertadas e maduras, provam que ele cresceu, como pessoa e jogador.

A escalada de propostas europeias para ver "o Galo" (como Mourinho o apelidou) em seus campos e certames é a prova cabal de que todos enxergam o mesmo: Neymar está pronto para ser uma commodity global.

Os muitos milhões de Euros que oferecem, aparentemente, ainda não são suficiente para tirar o garoto da brincadeira que parece estar desfrutando sem limites, o de ser o melhor jogador em atividade no Brasil. Quer um conselho? Aproveite você também e acompanhe de perto esse gênio enquanto podemos.

PS: Poderia ter escrito essa postagem sobre qualquer outra coisa, mas sentia que de certa forma devia um mea culpa à Neymar.